Notícias do Campo de Batalha e alguns prognósticos

As forças golpistas sofreram nessa semana alguns revezes maiores:

  1. Rifaram cedo demais o presidente da Câmara Eduardo Cunha, fato que apesar da camaradagem entre eles acrescentou desconfiança a Cunha que não é nenhum iniciante;
  2. Reconheceram tardiamente a legitimidade dos resultados eleitorais como não fraudados. É provável que esse parecer final tenha sido, “espertamente”, montado para fazer um afago em Dias Toffoli, atualmente o senhor dos destinos do último suspiro do golpe paraguaio. Só que a importância desse reconhecimento é definitiva no plano do, lento, encerramento das querelas eleitorais. Ao fim e ao cabo as eleições foram legítimas e, finalmente,
  3. O STF encerrou o rito sumário e por maioria simples do impeachment no parlamento. As implicações dessa decisão do STF são imensas, porque desbaratam a principal estratégia golpista de submeter a presidente Dilma a um impedimento e suspensão do mandato no legislativo ou a um desgaste político maior perpetrado por maioria simples.
  4. Esse contexto torna o processo aberto pelo PSDB no TSE a única e última via para o golpe paraguaio. Alguns juristas têm se posicionado em no sentido de que o TSE é terminativo, outros de que, por tratar-se de matéria constitucional, mesmo não previsto no rito, o STF teria prerrogativas recursais. A ver.

Seja como for, uma condenação no TSE, apesar da previsível parcialidade de alguns dos juízes, deverá estar calçada em provas. Se existissem já seriam de conhecimento público, pois o PSDB já as teria publicado nas primeiras páginas do PIG.


Tudo isso coincide com um arrefecimento dos movimentos de rua da direita, totalmente desmoralizados pela natureza corrupta da totalidade das lideranças capazes de emergir como líderes políticos dos ditos movimentos. Um fez viagens não protocolares com o jatinho oficial e passou um ano no Rio, o outro é alvo de investigações de propina na arena de sua terra natal, o outro está envolvido com trabalho escravo, o outro está sendo investigado na própria operação Lava Jato e o maioral tem contas secretas no exterior, negadas em CPI, e denunciadas pelo Ministério Público suíço. Não sobrou ninguém para entregar nenhuma carta de impeachment e qualquer destinatário pode surpreender negativamente antes que o galo cante três vezes. É difícil ter uma direita tão corrupta para sustentar um movimento moralista.

Então o jogo do impeachment começa a fazer água. Ao lado disso a presidenta Dilma parece que acordou e está disposta a ser mais contundente na defesa do seu mandato, numa luta que é, de fato, a defesa da democracia.

Mas a direita golpista não atravessou esses meses de batalha sem desgastes. Os desgastes foram muitos e terão efeito eleitoral, gastaram avidamente ativos de cinismo que normalmente a direita evita desperdiçar.

Terão que prestar contas à nação da aliança com Cunha, dos vôos desautorizados em jatinhos oficiais, do ano passado por Aécio Neves no Rio, da terceirização da mão de obra em atividade fim, do envolvimento nos escândalos de corrupção quando posavam de vestais, do segredo dos assuntos tocantes ao metrolão, da repressão brutal a professores e alunos, da tentativa de entregar o pré-sal ao império e de sabotar as maiores empresas do país, da manutenção do financiamento privado de campanhas, da negativa ao repatriamento da evasão fiscal, e finalmente da condenação da presidenta por pedaladas fiscais, e Lula já deu o mote, no essencial para custear o Bolsa Família, além de muitas outras burrices que me escapam da memória.

Toda a estratégia da direita golpista previa o golpe e não as eleições.

Alguns grupos conservadores onde postei um ou outro comentário de Bob Fernandes produziram silêncio completo. Ninguém consegue de rosto descoberto sair em defesa dessa direita ao mesmo tempo moralista e corrupta. A roubalheira é tanta que conseguiram desmoralizar os 50 milhões do mensalão. Resta a Lava Jato, que mantem preso o almirante Otton, pai da energia nuclear brasileira.

A direita não se preparou para as eleições, mas para o golpe. Mas as eleições vêm aí e o golpe parece mais distante.

O que veremos nas eleições fará Bob Fernandes parecer um gatinho.

Ion de Andrade, Jornal GGN

 
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