Nerias: a culpa é do povo. É?!

Na política brasileira, o dilema é antigo: o povo vota mal ou os políticos são ótimos atores? Há um fundo de verdade em cada um dos questionamentos, pode-se dizer assim. Ou não! É a tal 'cultura' da eleição, o modelo institucionalizado por práticas que durante décadas se embrenhou na alma nacional como tatuagem de identidade, cujo processo de eliminação, de raspagem, anda a passos lerdos, como se cada lado houvesse pactuado simbolicamente um acordo velado do "é assim mesmo, nunca vai mudar".

Os políticos aparecem bonzinhos e logo se revelam. O povo... O povo cai na cantilena, vai no onda da novidade e... Decepção! Como um gol contra. Ou então insiste na figurinha carimbada dos grandes escândalos da pátria-mãe ou dos cantinhos mais remotos deste quase continente.

Na madrugada desta terça, 14, 'um brasileiro pacato', um interiorano, Nerias, o nome dele, um homem simples, boa praça, que tinha amigos, um bom pai e avô, se foi. Foi político, político dos antigos, nascido 'líder' de alguma comunidade, burilado pelos figurões, galgou postos nas disputas paroquiais. Foi vereador do município-mãe e prefeito do município-filho, do qual era filho, ele e outros brasileiros simples.

Aprendeu as artimanhas para se manter na crista da onda. Soube entender a simbiose do eleitor e o candidato, a troca de interesses velados. Não ficou rico, nem fez família rica. Com sua pequena contribuição, ajudou muita gente e ajudou a manter o velho status da política dos currais. Ele fez certo ou fez errado? O eleitor votou certo ou votou errado? Eis o dilema.

Segundo a máxima do velho Nerias Teixeira, tudo é culpa do eleitor. Para o bem ou para o mal... do candidato. Se o cara perde, o povo não entende nada; se o cara ganha e faz coisa errada, o povo não sabe votar.

Não há juízo de valor aqui neste pequeno espaço sobre o 'velho e bom' Nerias. Ele foi fruto da engrenagem de seu tempo, tempo que ainda é nosso. Dizem que eleição é emoção. A razão, na disputa das urnas, se esconde na esperança de que tudo vai mudar. E assim, vota-se bem ou vota-se mal, de acordo com a perspectiva de cada um.


Nerias Teixeira, ex-vereador de Imperatriz e ex-prefeito de São Pedro D'Água Branca, no Maranhão. Foto: O Folheto, publicada pela Agência da Aldeia em 2014.

A seu modo, e a seu tempo, Nerias deixou sua contribuição ao debate: "O povo merece é taca", a frase já consagrada no anedotário da política maranhense. Seus detratores ainda galhofam, seus defensores concordam, e nós nos divertimos. Para o bem ou para o mal.

Pois, sim!
“Esse projeto foi aprovado no Senado a toque de caixa, representa os interesses de ex-governadores. Não podemos abrir mão de verdadeiras fortunas que deveriam ir para os cofres estaduais”.

(Deputado federal Hildo Rocha, PMDB, defendendo uma reforma tributária mais profunda, que acabe com a guerra fiscal entre os estados)

Apesar de a maioria dos deputados apoiar a proposta que convalida incentivos fiscais concedidos por estados a empresas (PLP 54/15), muitos parlamentares se mostraram preocupados porque os governadores ainda não chegaram a um consenso sobre a matéria. O Plenário da Câmara aprovou nesta tarde o regime de urgência para o PLP.

Chamados de “guerra fiscal”, esses incentivos fiscais não eram possíveis sem a autorização unânime do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), mas foram sendo concedidos e hoje dependem de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para funcionarem ou não. Um acordo entre o Supremo e o Legislativo deu até o final de março para que o Congresso aprove novas regras a respeito do assunto.

O deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) advertiu que seria necessário primeiro tentar um acordo com os governadores, o que está sendo tentado em reuniões entre os secretários de Fazenda. “Se amanhã não houver um entendimento do Confaz, no mérito votaremos de outra maneira, mas hoje não vamos nos colocar contra a matéria”, declarou.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ressaltou que seria aprovada apenas a urgência para que um relator seja designado e faça as modificações na proposta caso sejam necessárias. “Não vamos votar o mérito se não tiver acordo até o final de março, porque esse foi o meu acordo com o Supremo”, afirmou.

O estado de Goiás é um dos mais afetados com as barreiras aos incentivos fiscais, por isso a bancada do estado se mobilizou para votar a proposta. “Quando era tudo para São Paulo, não tinha problema, porém, quando foram para outros estados, virou guerra”, resumiu o deputado Jovair Arantes (PTB-GO).


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