SBPC: Estudante do Bequimão apesenta pesquisa em BH

"Eu passava quase todos os dias por ali e via como as palafitas poluíam o manguezal, como as grandes construções estavam cada vez mais fazendo com que a área de mangue ficasse cada vez menor. E dói ver um bem nosso, importante bioma para a vida marinha sendo tão maltratado e pior, devastado, mesmo sendo protegido por lei. Então, alguém tem que fazer algo para chamar a atenção, dar um basta e proteger este bioma." Essa inquietação foi o ponto de partida para que Luís Felipe Diniz Pereira, estudante do C.E. Manuel Beckman, escola da rede estadual de ensino, no bairro Bequimão, se dedicasse a desenvolver a pesquisa sobre ‘Os impactos da urbanização nas áreas de manguezais no entorno da Ponte Bandeira Tribuzzi e Jaracati’.

A pesquisa que será apresentada na ‘69ª Reunião da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC)’, que acontece em Belo Horizonte, Minas Gerais, de 16 a 22 deste mês, teve como objetivo é quantificar a perda do manguezal nestas áreas entre os anos de 1986 e 2014. O estudo mostra que, ao longo do tempo, com as ocupações desordenadas e a expansão urbana evidenciada pelas construções de casas, prédios residenciais e comerciais como shopping Center, bem como palafitas, os manguezais da área em estudo foram sendo desmatados e aterrados e veem diminuindo de forma significativa.

Para fazer o comparativo foram analisadas imagens de satélite da série Landsat, desse período de 22 anos, utilizando técnicas de processamento digital de imagens para realçar as feições de interesse. A pesquisa constatou que em 1986 a área de mangue nessa região de estudo, correspondia a 6.880.885,932m². Em 2014 caiu para 3.871.388,474m². Isso representa uma redução de 43,73% na floresta de mangue.

A pesquisa mostra ainda, como o surgimento do atual bairro Jaracati, na década de 1960, na época como Sitio Novo impactou no manguezal. E ao longo do tempo, além do crescimento da comunidade, a abertura de novas vias de acesso aos novos bairros que foram surgindo e os grandes empreendimentos que não param de ser implantados, estão de forma decisiva avançando sobre o mangue.

Os estudos resultaram num banco de dados geoespacial multitemporal do manguezal dessa área em pesquisa, o que pode contribuir para o monitoramento ambiental das alterações ocorridas nas áreas de mangue.

O trabalho financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) através do edital de Tecnologias Sociais, foi realizado por meio de parceria entre a Universidade Ceuma, o Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e o C.E. Manoel Beckman. A pesquisa foi coordenada pelo professor Denílson Bezerra, do mestrado em Meio Ambiente no Celma; apoiado por André Luís Santos, professor de Geoprocessamento do Irma, e orientado por Danilo Lemos, de Geografia do C.E. Manoel Beckman. Também participaram da pesquisa os estudantes Fabrício Brito Silva, Thalicia Tavares dos Santos.

Luís Felipe e o professor Danilo Lemos embarcam para Belo Horizonte no próximo dia 19 (quarta-feira). A apresentação na 69ª Reunião da SBPC será no dia 20 (quinta-feira). Mais que uma pesquisa, eles levam, para o mais importante evento científico do país, a vontade de contribuir para a preservação desse bioma que é berçário para vida marinha.

Visita de agradecimento pelo apoio

No final da manhã de sexta-feira (07) Luís Felipe foi recebido pelo Secretário Felipe Camarão, no gabinete na Secretaria de Estado da Educação (Seduc). Felipe fez questão, de em nome de toda a equipe envolvida no trabalho, agradecer ao secretário pelo apoio da Seduc que garantiu recursos para as despesas com passagens aéreas e hospedagens, para que o estudante e o professor pudessem participar da SBPC.

"O senhor não tem noção de como é importante para mim representar o meu estado e abordar um tema tão relevante quanto este, na SBPC. Graças à dedicação e orientação dos meus professores orientadores e colaboradores a pesquisa aconteceu. E graças ao apoio da Seduc, estamos indo para Belo Horizonte representar a nossa escola, o nosso estado. Eu quero dizer para os jovens estudantes para eles acreditarem, buscarem um tema, o apoio de professores e investirem em pesquisa desde o ensino médio", destacou Luís Felipe.

O secretário parabenizou o estudante e a equipe e demonstrou todo o contentamento em ver um estudante da rede estadual fazendo pesquisa e representando o estado num evento grandioso como é a Reunião da SBPC. “Para mim e para o Governador Flavio Dino é uma grande felicidade ver um estudante da rede estadual envolvido em uma pesquisa científica tão relevante. E ficamos mais feliz, ainda, sabendo que ele vai representar o Maranhão e a nossa rede nesse, que é o maior evento científico e de produção do conhecimento em nosso país. Parabéns ao Professor Danilo Lemos e ao Felipe, que ainda no Ensino Médio já está defendendo um trabalho na SBPC! E eu quero deixar essa mensagem para os outros alunos e nossos professores, que isso sirva de estímulo. Façam ciência, produzam conhecimento. E isso tem que começar na Educação Básica", pontuou o secretário.

Regina Sousa

 
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