Temer cancela viagens após vexame mundial

Na viagem que fez à Rússia e à Noruega na semana retrasada, o usurpador Michel Temer virou motivo de galhofa no mundo. Ele cometeu várias gafes, foi recebido nos aeroportos pelo terceiro escalão destes governos e não mereceu qualquer destaque na imprensa mundial. Agora, temendo um novo vexame internacional e preocupado com o risco do seu afastamento do cargo, o Judas cancelou as viagens que já estavam agendadas. Ele desistiu de participar do encontro do G20, que ocorrerá nos dias 7 e 8 de julho na Alemanha, e decidiu não comparecer mais a almoço com a chanceler alemã Angela Merkel, em Berlim, e não se encontrar mais com o presidente colombiano Juan Manuel Santos, em Bogotá.

Segundo matéria de Gustavo Uribe, publicada na Folha, a razão para os cancelamentos foi o agravamento da crise política no Brasil. “A avaliação é de que, diante do momento crucial para a sua sobrevivência no cargo, o peemedebista deve permanecer no país para garantir vitórias na Câmara e no Senado. Temer será o primeiro presidente brasileiro a não comparecer ao G20 desde 2010”. O principal temor do Judas é com a votação da denúncia do seu envolvimento em corrupção apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Para evitar a abertura do processo de impeachment, o golpista precisa que 172 deputados federais não compareçam ou votem contra a aceitação da acusação.

Denúncias repercutem no mundo

Tudo indica que o risco do impeachment foi o principal motivo para a desistência das viagens. Mas também devem ter pesado na decisão a recente humilhação internacional e as fortes críticas da mídia mundial – que não foi contagiada pelo golpismo da imprensa nativa. Nos últimos dias, os principais veículos estrangeiros repercutiram as denúncias contra o usurpador. O jornal francês Le Monde, por exemplo, enfatizou que Michel Temer entra para a história do Brasil como o primeiro chefe de Estado denunciado em pleno exercício do mandato por um crime comum. Já o britânico The Guardian deu manchete para o escândalo: "O presidente do Brasil, Michel Temer, foi acusado de corrupção".

As denúncias contra o usurpador também foram destaque nos EUA – o que apavora nossa elite com complexo de vira-lata. O jornal The New York Times registrou que as acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR) atingem um governante já bastante fragilizado, com crescentes índices de rejeição. Além de citar as gravações vazadas dos chefões da JBS, ele lembra que Michel Temer enfrenta outras acusações, incluindo a de que ele negociou a propina de US$ 40 milhões para o PMDB. Já o diário The Washington Post destacou a grave crise política e econômica do país e listou as várias acusações criminais contra o golpista. E a rede de televisão ABC News afirmou que a crise brasileira só se agrava com as denúncias contra Michel Temer.

A mídia mundial também debochou dos vexames do usurpador nas viagens à Rússia e à Noruega. Em tom de ironia, lembrou que o governo ilegítimo anunciou a ida do golpista à “República Socialista Federativa Soviética da Rússia” e que o estabanado chamou o monarca da Noruega de “rei da Suécia”. Mas os problemas não foram só as gafes verbais do velhaco metido a falar rebuscado e a proferir mesóclises. O pior foram as consequências nefastas da política adotada pelo covil golpista. Sobre este efeito lamentável, vale reproduzir o artigo do jornalista Bernardo Mello Franco, uma das poucas vozes críticas da Folha:

Altamiro Borges

Vexame internacional

A viagem de Michel Temer à Europa produziu um vexame internacional. Enquanto o presidente passeava em Oslo, o governo da Noruega anunciou que cortará pela metade a ajuda ao Fundo Amazônia. O motivo é o fracasso do Brasil no combate ao desmatamento.

A devastação da floresta avançou 29% na última medição anual, divulgada em novembro. O país perdeu 7.989 quilômetros quadrados de mata tropical, o equivalente a sete vezes a área da cidade do Rio de Janeiro. Foi o pior resultado em oito anos.

A Noruega é a maior patrocinadora do Fundo Amazônia. Já doou R$ 2,8 bilhões para o Brasil proteger as árvores e reduzir a emissão de carbono. Isso equivale a 97% dos recursos do fundo, que também recebeu aportes da Alemanha e da Petrobras.

Às vésperas da chegada de Temer, os noruegueses repreenderam o governo brasileiro pelo desmantelamento da política ambiental. O ministro Vidar Helgesen criticou a aprovação de medidas provisórias que reduzem unidades de conservação.

A pressão internacional convenceu o presidente a vetar as MPs. No entanto, o governo prometeu aos ruralistas que vai enviar ao Congresso um projeto de lei com o mesmo teor.

Após o anúncio desta quinta, o Fundo Amazônia deve perder ao menos R$ 166 milhões em doações. "É uma decisão humilhante para os brasileiros. O país pediu dinheiro para reduzir o desmatamento, mas o que está acontecendo é o contrário", me disse Jaime Gesisky, da WWF.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, avalia que o retrocesso ainda pode se agravar. "A aliança de Temer com a bancada ruralista está saindo muito caro. O meio ambiente virou moeda de troca na negociação para barrar o impeachment", afirmou.

Em Oslo, onde desfilou com uma reluzente gravata verde, o ministro Sarney Filho foi questionado se o Brasil vai reduzir o desmatamento. Sua resposta foi outro vexame: "Só Deus pode garantir isso".
(Bernardo Mello Franco, Folha de S.Paulo Paulo, 23 de junho de 2017)

 
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